Fred Luna, uma trajetória marcada pela pesquisa e pelo afeto, nos deixa precocemente.

Daniel Moratori, | Pesquisa

Hoje prestamos uma homenagem a Frederico Augusto Luna Tavares, ou simplesmente Fred ou Luna para os amigos, cuja partida prematura nos deixou profundamente consternados. Fred sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico no dia 17 de janeiro de 2025, após dar entrada no hospital João XXIII, em Belo Horizonte, devido a fortes dores de cabeça. Segundo a equipe médica, o AVC foi provocado pela ruptura de um aneurisma. Sua morte cerebral foi confirmada em 27 de janeiro de 2025, encerrando uma vida marcada por uma dedicação incansável à pesquisa, à docência e à valorização da memória urbana e arquitetônica. Seu corpo será sepultado em Campina Grande (PB), sua cidade natal.

Fred era jornalista, mestre em História e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sua tese, "Uma Trajetória Des-viável: O percurso profissional de Arialdo Pinho entre Natal e Fortaleza", e o documentário correspondente, "Arialdo Pinho - Uma trajetória des-viável", revelaram sua sensibilidade única em dar voz a personagens e histórias pouco reconhecidos pela historiografia. Seu trabalho, que envolveu fontes plurais e um extenso campo de pesquisa, é uma celebração da riqueza humana por trás das construções e cidades.

Fred não era apenas um pesquisador brilhante, mas alguém que deixou um legado significativo em suas ações e colaborações. Ele se dedicou à luta para documentar a história da arquitetura de Natal, correndo de um lado para o outro para fotografar e filmar os remanescentes e também o que era demolido - uma paixão que culminou em sua tese e no documentário sobre Arialdo Pinho. Além disso, Luna esteve envolvido em diversos projetos marcantes, como:

  • a mostra Mosaicos Audiovisuais, que ampliou os olhares sobre a relação entre cinema, arquitetura e cidade;
  • a exposição Vibrantes Caminhos, do HCUrb, celebrando os trajetos urbanos e suas histórias;
  • e, lá no início de seu doutorado, as mostras Cidade em Cena e, posteriormente, Arquitetura em Cena, que já demonstravam sua paixão em unir arte, cidade e memória.

Mais do que isso, Fred trazia consigo uma amizade e uma alegria destrambelhadamente feliz, algo que iluminava todos os lugares e pessoas ao seu redor. Seu riso fácil, leveza e bom humor espalhavam felicidade e tornavam qualquer ambiente mais acolhedor e vibrante. Ele tinha o dom raro de unir as pessoas, criando laços que transformavam até os momentos mais desafiadores em memórias repletas de vida e afeto.

Fred também foi pós-doutor do PPGAU-UFRN, onde encantava colegas e alunos com seu olhar atento, suas reflexões inovadoras e sua generosidade intelectual. Inspirava não apenas pelo que fazia, mas pela maneira como fazia: com paixão, empatia e um profundo respeito pelos indivíduos e contextos que estudava.

Sua jornada foi interrompida de forma abrupta, mas seu legado permanece vivo. Fred nos deixa um exemplo de humanidade e compromisso com o saber, um testemunho de como a pesquisa pode ser uma ponte entre o passado e o futuro, entre histórias e pessoas. Sua ausência será sentida em cada debate acadêmico, em cada sala de aula e em cada pesquisa que ele iluminaria com sua presença.

Que possamos honrar sua memória ao buscar em nosso próprio trabalho a mesma dedicação, sensibilidade e respeito que ele carregou consigo em todos os momentos de sua vida. Fred Luna será sempre lembrado não apenas pelo que construiu, mas por quem foi: um ser humano extraordinário que deixou marcas indeléveis naqueles que tiveram a alegria de conhecê-lo.


Sentiremos muito sua falta aqui em MG e no Nordeste, meu amigo! 

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